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7 de março de 2009

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Blog traz boas notícias da visita feita a “Magrão”

29 de outubro de 2008

Muitos leitores querem saber mais sobre o atual estado de saúde de Telmo Alves, o “Magrão”, atingido por dois tiros durante o assalto a lotérica Trevo da Sorte, no dia 21 deste mês. Canguçu On Line fez uma visita a ele na tarde de ontem (28) e você confere a seguir as principais informações coletadas durante os quase 30 minutos de uma conversa informal:

O ambiente encontrado em um dos quartos do segundo piso do Hospital de Caridade de Canguçu era de tranqüilidade e sossêgo. No momento em que chegamos ao local, “Magrão” recebia a companhia da esposa Eva e de dois amigos. Deitado sobre a cama ele conversou normalmente e, em certos momentos, demonstrou bom humor ao falar de sua recuperação.

Portando um colar cervical (proteção que envolve o pescoço e imobiliza a cabeça), “Magrão” foi transferido do Hospital Santa Casa de Porto Alegre para o Hospital de Caridade de Canguçu na sexta-feira (24), concluindo a viagem às 23h. Duas vezes ao dia ele realiza sessões de fisioterapia para os dois braços e uma das pernas, sendo atendido desde que retornou ao Município pelos médicos Beirute, Ernesto, Fernando e Gilberto.

Pai de Eldar, 18 anos, que mora em Curitiba (PR), e Éber, 32 anos, residente em Canguçu, “Magrão” não tem data prevista para deixar o Hospital. Canguçu On Line atendeu o pedido da família e não registrou imagens do paciente, as quais serão feitas assim que ele for liberado e ir para a casa.

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ARTIGO: Literatura, filosofia e verdade

16 de setembro de 2008

Jói José da Silva Teixeira*

O que existe em comum entre as obras “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera, e “Crime e castigo”, de Fiodor Dostoievski? A resposta seria uma intersecção que termina no filósofo Friedrich Nietzsche. Lanço uma curiosidade muito proveitosa àqueles que fazem da leitura um prazer.

Após o término da leitura da obra de Kundera, retornei à página em que dizia que quando sua loucura teve início viu um homem espancando seu próprio cavalo com um chicote, colocando-se no lugar do animal e levando sobre si o açoite. O livro, que foi sucesso de vendas nos anos 80 não faz menção ao fato de onde o filósofo tirou tal idéia. Nietzsche leu o livro de Dostoievski e gostou muito do romance, influenciado-o profundamente. Na obra, o personagem principal (Raskólhnikov) realiza este mesmo ato (levar o açoite).

Friedrich Nietzsche é muitas vezes mal interpretado como filósofo, foi utilizado pelo regime nazista como um autor determinista da teoria do “Super-Homem”, que consagraria a superioridade temporária, na Alemanha, da raça ariana. Além de sua biografia, só li três de suas obras: “Assim falou Zaratustra” (na minha opinião, o mais filosófico); “O Anticristo” e “Ecce Homo”. Milan Kundera é um escritor nascido na antiga Tchecoslováquia em 1929, na cidade de Brno. Kundera era membro do partido comunista, sendo duas vezes expulso do mesmo. Viveu a invasão de seu país pelas tropas soviéticas e foi contra (naturalmente) esta ação. Seu livro coloca esta situação histórica de forma bem evidente. Dostoievski, por sua vez, lança em sua obra a idéia da superioridade do homem pela sua erudição, inteligência, cultura e lógica. A sua biografa conta que o mesmo possuía um passado anarquista, participando até mesmo de um atentado contra o Czar Nicolau I.

O resultado desta pequena pesquisa literária me leva a acreditar que o autor de “A Insustentável Leveza do Ser”, por ter sido um comunista convicto, sempre teve uma predileção por autores russos (eu mesmo gosto muito de Tolstoi, Tchekhov e Dostoievski, embora não seja comunista). Porém, após a invasão de sua pátria pelo exército vermelho, o mesmo repensou seus valores e sua visão política. O resultado foi a utilização, em seu livro, de um fato ocorrido com Nietzsche, que não é explicado ao leitor como uma inspiração do filósofo em uma outra obra da literatura universal (Crime e Castigo), autoria de um escritor russo. Dostoievski passa a representar a literatura do país invasor.

Concluindo, assim como não existe na obra original “O príncipe”, de Maquiavel, o dito “Os fins justificam os meios”, a ele atribuído, também não há no livro de Kundera referente explicação verdadeira quanto ao fato do açoite. Isto pode fazer um leitor pensar na seguinte situação: se obras consagradas limitam-se a ocultar detalhes literários de suma significação, imagine a difusão de opiniões e informações que se recebe todo dia (sem justificação científica) dos meios de comunicação e de pessoas? O que seria o uso transparente da verdade?

*O autor é Assistente Social e Bacharel em Ciências Sociais

* Só é permitida a reprodução deste artigo se citada a fonte Canguçu On Line

CTG Raul Silveira realiza ronda

15 de setembro de 2008

A programação da Semana Farroupilha em Canguçu, que apresenta o lema “Nossos símbolos, nosso orgulho”, prossegue hoje (15) com a ronda no CTG Raul Silveira. Confira abaixo as datas e locais das próximas rondas:

Dia 16 (terça-feira)
Piquete Cerca de Pedras e Piquete Lanceiros do Sul

Dia 17 (quarta-feira)
CTG Tropeiros da Amizade

Dia 18 (quinta-feira)
CTG Sinuelo

Dia 19 (sexta-feira)
Ronda da Integração, no Ginásio Municipal de Esportes

Dia 20 (sábado)
13h – Inicio do Desfile de Cavalarianos

14h30 – Desfile Temático “Nossos Símbolos, nosso Orgulho”

* A programação acima foi enviada pelo leitor Claudiomar Pinto de Oliveira, Diretor de Eventos da 21ª Região Tradicionalista.

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ARTIGO: A face da renegociação da Dívida Externa

9 de setembro de 2008

Jói José da Silva Teixeira*

Ao se falar em dívida externa, geralmente se pensa em como isto pode afetar aqueles que dependem da ajuda estatal para manter seus negócios, sua produção, colheita, transporte e até mesmo financiamento para investir na criação ou plantação. As cláusulas dos contratos externos não prejudicam apenas os investimentos em políticas públicas na área de saúde, educação e segurança, mas também no que tange a manutenção da infra-estrutura voltada para atender o tanto o homem do campo quanto o da cidade. Mas como isto é possível?

Os anos 80 foram o palco de transformações internacionais fantasiadas de possíveis soluções para os problemas causados pela miséria e a fome. As pessoas ficaram mais pobres do que deveriam com os programas implementados nesta década e que visavam a renegociação da dívida externa. Isto desestabilizava as moedas nacionais, diminuindo o poder de compra interno e piorando a situação referente à implantação de políticas públicas como saúde e educação. A função do Banco Mundial é ambígua, e vai aqui a crítica relevante a ele: se a função é proteger o meio ambiente e sanar possíveis focos de doenças como a tuberculose, a malária e a cólera, então é questionável seu apoio financeiro a projetos de construção de hidrelétricas e indústrias que aceleram o desmatamento e expulsam milhares de pessoas de suas regiões.

A macroeconomia não tardou, após a guerra fria, em tentar solapar a economia dos países da antiga União Soviética, no intuito de levar para estas regiões sua forma de exploração a longo prazo. Na figura de um monetarismo de escala mundial, surge uma reestruturação da economia global, que leva a destruição de pequenas e médias empresas, desemprego e aumento da miséria. O apartheid social surge como conseqüência do acúmulo de riqueza nas mãos de uma minoria, estimulando o racismo, retirando direitos adquiridos pelas mulheres, desvalorizando o homem do campo e causando guerras.

O Programa de Ajuste Estrutural (PAE), muitas vezes adotado em nome da boa democracia, requer uma melhoria na segurança interna, não como forma de se prevenir contra a violência (problema cada vez maior em nosso país), mas com objetivo de repressão política, em conluio com as elites para calar vozes que podem reivindicar melhores condições de vida frente a esta intervenção externa. O ajuste estrutural toma a forma de um “genocídio econômico” pois afeta a subsistência da população negando a construção de uma economia nacional e aumentando a desigualdade de uma estrutura de comércio que favorece somente aos fortes, alienando o pequeno produtor. Isto tende a transformar países inteiros em fornecedores de mão-de-obra barata e matéria prima.

A dolarização dos preços afasta a população dos bens de primeira necessidade, aumentando a fome. Enquanto o dogma neoliberal defende que trabalha para um desenvolvimento sustentável e uma diminuição da pobreza, o Banco Mundial, segundo dizem os economistas, manipula estatísticas para afirmar que os pobres ainda representarão um número minoritário. Isto mostra que a estratégia de exploração foi bem estruturada, e que sua propaganda consegue aliciar aqueles que não possuem conhecimento da realidade.

Existem vários planos criados para o desenvolvimento em âmbito mundial, mas com terríveis efeitos colaterais: Plano Marshal (empréstimos, investimentos e ajuda de estrangeiros); Programa Shadow do FMI (para países onde as reformas econômicas “saíram de linha”); Linhas de Financiamento - IFIs (empréstimos condicionados a política); e Documento de Prioridades Políticas - DPP (onde o FMI supervisiona a privatização de empresas e os investimentos públicos). O FMI também é o principal responsável pela desvalorização da moeda de um país, obrigando o governo a criar programas desinflacionários, reajustando os preços ao nível de um mercado mundial e prejudicando seriamente a população. Pensando nisto tudo, devemos ter em mente aquela frase tão citada do conhecimento vulgar: “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”.

*O autor é Assistente Social e Bacharel em Ciências Sociais

* Só é permitida a reprodução deste artigo se citada a fonte Canguçu On Line

Envie textos e fotos para Canguçu On Line

3 de setembro de 2008

O blog Canguçu On Line é um canal aberto ao jornalismo participativo. Colabore enviando textos e fotos sobre um assunto que julgue ser interessante. Aqui você tem a oportunidade de registrar e ver publicadas notícias indicadas.

O jornal diário de Canguçu na Internet possibilita que os leitores atuem como repórteres dentro do Município, apresentando reivindicações, divulgando eventos, contando um fato inusitado ocorrido em Canguçu, ou solicitando mais informações sobre um determinado tema.

Participe ativamente do desenvolvimento de Canguçu On Line e veja sua indicação de matéria veiculada para mais de 600 acessos diários enviando e-mail para cangucuonline@terra.com.br.

Aguardamos a sua participação!

ARTIGO: A sociologia do voto

2 de setembro de 2008

Jói José da Silva Teixeira*

O comportamento eleitoral advém da participação política, porém, para entendê-lo, torna-se necessário visualizar como e onde vivem os eleitores. Este mesmo comportamento deve ser analisado a partir do contexto social do eleitor. Tomando esta assertiva como base, passa-se a supor que a dinâmica política está centrada nos coletivos sociais, e não nos indivíduos. Mesmo sabendo que quem age são os indivíduos é a interação social que define o comportamento político.

Para entender o modelo sociológico referente a uma eleição, é necessário ver que deve existir primeiro uma interação para depois ocorrerem os comportamentos. As interações sociais e as opiniões formadas são regidas pela probabilidade, e as probabilidades estão condicionadas pela distância social, e até mesmo física, entre os grupos e os eleitores. Os membros de um grupo tendem a interagir muito mais entre si, do que com indivíduos estranhos.

Através da visão sociológica, vem a pergunta: Porquê os indivíduos votam? Pode ser que esta atividade venha perdurando por muito tempo, pode ser que isto ocorra devido a constantes mudanças das relações sociais, ou por meio de um desenvolvimento social. Porém, o estado de desenvolvimento sócio-econômico é a fonte originária de casualidade que atua até o indivíduo votar. “As respostas participativas aos apelos mobilizadores da política variam diretamente com o grau de desenvolvimento da sociedade”.

Não deve ser esquecido que diferentes regiões ou segmentos sociais vivem estágios diferentes de desenvolvimento. A participação política varia de acordo com este “Estágio de desenvolvimento social”, e o contexto de uma região pode ser político (institucionalização do sistema político e natureza de suas relações), ou social (estruturas sociais e formas básicas de organização da vida social).

O problema quanto à descrição da estrutura social é o fato de que os grupos podem utilizar tanto auto-identificações de natureza funcional quanto social. A mudança ou a continuidade dos padrões de comportamento eleitoral está no fato de que o desenvolvimento social leva a uma mudança de comportamento, que leva a uma mudança política. Conforme a Sociologia, a preferência dos eleitores está na existência de identidades culturais ou na consciência de classe. A interação social é a responsável por esta identidade cultural - como regionalismo e bairrismo - e por meio dela os indivíduos se comunicam.

Para concluir, a identificação do eleitor com o partido ou candidato, o seu sentimento de pertença a um setor ou classe, levam o indivíduo a votar conforme seu grupo social. “Quanto mais coeso for um grupo social, menor será a probabilidade de que os membros desse grupo respondam com seus votos aos apelos de forças momentâneas”. A decisão do voto, na visão sociológica, está ligada às relações políticas e sociais em que o indivíduo está envolvido.

* O autor é Assistente Social e Bacharel em Ciências Sociais

* Só é permitida a reprodução deste artigo se citada a fonte Canguçu On Line

Terça-feira é dia de ARTIGO

1 de setembro de 2008

Será publicado amanhã (02) o terceiro artigo assinado por Jói Teixeira, assistente social e sociólogo graduado pela Universidade Católica (UCPel) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel), respectivamente.

Os textos, listados na categoria “ARTIGO”, são veiculados todas as terças-feiras, quando os leitores podem acompanhar e debater os questionamentos do autor.

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ARTIGO: Cem anos de solidão

26 de agosto de 2008

Jói José da Silva Teixeira*

Gabriel Garcia Márquez, colombiano de nascimento e cidadão do mundo de coração, é um dos maiores escritores do século XX. Sua visão crítica da realidade, sua imaginação fértil, seu talento em comparar as situações reais com a ficção tornam-no um gênio.

Em sua principal obra, “Cem Anos de Solidão”, ele mostra como se pode crer e tentar fazer outros crerem que a realidade não pode ser aquilo que nos é apresentada, mas sim imposta. Macondo, cidade fictícia desta fabulosa obra, é habitada por pessoas que só têm conhecimento do que é real por meio das novidades trazidas por um grupo de ciganos. Isolados do mundo, seus habitantes passam a conhecer maravilhas que todos já vivenciaram há muito tempo. Os ciganos são a única fonte de informações que eles conhecem.

O livro narra a saga da solitária estirpe dos Buendía, família habitante desta cidade. Márquez talvez tenha se inspirado em Franz Kafka (como defende Rinaldo Gama), mas deve-se pensar se ele também não foi influenciado pelo pensamento teórico-crítico da Escola de Frankfurt. Este tipo de pensamento baseia-se na teoria sociológica que tem por objetivo explorar o que existe por trás da vida social e descobrir os pressupostos e máscaras que impedem que a realidade seja vista como ela verdadeiramente é.

Esta teoria objetiva mostra como se pode viver em uma realidade superficial, com força para cobrir uma realidade subjacente, viva e possivelmente revolucionária, e, por isso mesmo, assustadora aos olhos de uma elite dirigente. Esta forma de pensamento é vinculada a Escola de Frankfurt, na Alemanha, onde seus cientistas sociais foram perseguidos pelo regime nazista, que ditava as regras de como devia ser a realidade de cada povo. Para aqueles que gostam de comparar teorias científicas com cinema, é só lembrar da trilogia Matrix. Combinando marxismo com uma análise freudiana, estes cientistas sociais criaram uma compreensão da personalidade do indivíduo em relação à sociedade capitalista.

Macondo nada mais é do que uma cidade que se transforma e sofre com as mudanças, guerras, desenvolvimento da tecnologia e avanço do capitalismo. Os valores antigos passam a ser valores deslocados da realidade e, assim, desvirtuados pelos poderosos. O autor mostra entre linhas que tudo pode ser modificado, para o bem ou para o mau, conforme ele mesmo diz na obra “Memória de minhas putas tristes” (comparada com a do escritor francês Charles Perrault): “Também a moral é apenas uma questão de tempo”.

Para aqueles que querem se aventurar na leitura desta fantástica obra aconselho a traçar um mapa de seus personagens, pois são muitos e seus nomes se repetem por gerações - uma forma de homenagear parentes. O autor parece trazer de suas memórias cada fato narrado, como se fosse uma pequena biografia. Porém, a forma crítica com que escreve, leva-o a ser um intelectual contemporâneo e simples.

É uma boa obra para aqueles que refletem sobre o que é a verdadeira realidade, se devemos aceitar o mundo e as situações como estão ou se tudo pode mudar para melhor. Não é à toa que os apaixonados pela literatura o consideram o “último grande contador de histórias do século XX”.

*O autor é Assistente Social e Bacharel em Ciências Sociais

* Só é permitida a reprodução deste artigo se citada a fonte Canguçu On Line

Terça-feira: dia de ARTIGO

25 de agosto de 2008

Será veiculado amanhã (26) o segundo artigo assinado por Jói Teixeira, assistente social e sociólogo graduado pela Universidade Católica (UCPel) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel), respectivamente.

Os textos, listados na categoria “ARTIGO”, são publicados todas as terças-feiras, quando os leitores podem acompanhar e debater os questionamentos do autor.

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