Acabou o sentimento de surpresa em quem via um clima amistoso entre as candidaturas a Prefeitura de Canguçu durante esta eleição. Desde o início desta semana as propagandas eleitorais gratuitas das coligações Canguçu Para Todos (PMDB/PT/PDT/PSB), Eu Quero Mais (PSDB/PMN), e Força Democrática Canguçuense (PP/DEM/PTB/PRB/PPS) veiculam Ironias, acusações, defesas e contra-ataques. A troca de farpas incendiou de vez a disputa entre Luiz Carlos Silveira (PMDB), Nilso Pinz (PSDB), e Cássio Mota (PP). Confira a seguir o que chegou aos ouvidos dos eleitores:
“O pessoal me diz que recebe uma pressão muito grande”
Disposta a interromper o mandato de 12 anos consecutivos do PP em Canguçu, a coligação Eu Quero Mais, que em 2004 viu a vitória tucana escapar por apenas 374 votos de diferença (1,03% de votos), abordou questões polêmicas no programa de segunda-feira (22). Logo no início, a mensagem “Quem manda no Prefeito é você, eleitor. Chega de humilhação nas filas dos postos de saúde das secretarias”, uma referência ao suposto mau atendimento prestado pelo setor, anunciava o que viria pela frente. A aprovação de aumento salarial para secretários, prefeito e vice, que a partir de 1º de janeiro de 2009 receberão reajustes consideráveis, não foi esquecida pelo deputado estadual e candidato a vice-prefeito Pedro Pereira. “Fiquei indignado quando soube que o prefeito aprovou para si mesmo um aumento de 65%, ao passo que aprovou para os funcionários um aumento de apenas 6,5%. Isto é uma desconsideração, é um desrespeito”, disse. Pedro ainda acusou a administração atual de condicionar votos de servidores. “O pessoal (funcionários públicos) me diz que recebe uma pressão muito grande. Dizem que foram obrigados a colocar adesivos nos carros e casas e até ameaçados para ir em reuniões e comícios”, revela.
No encerramento, foi veiculado o depoimento de uma ex-funcionária pública que afirma ter sido demitida no período em que estava doente. “Trabalhei durante oito anos com Eloísa Meskó. Em janeiro fui convidada pela primeira-dama (Mara Mota) para voltar a trabalhar na assistência social, mas infelizmente adoeci em agosto e fui encostada pelo INSS até 15 de outubro pelo fato de estar impossibilitada de trabalhar. No final de junho, para minha surpresa, o atual Prefeito, Cássio Mota, mandou uma exoneração na minha casa para que eu assinasse, mas não fiz isto e nem pretendo fazer”, contou Dilva Braun Cardoso.
“Para terminar com a esculhambação no transporte escolar”
Bem mais comedido, no mesmo dia o programa da coligação Canguçu Para Todos cutucou a demora na regularização do transporte escolar do Município no início do ano, um dos assuntos que pautou os debates realizados até momento. “Para terminar com a esculhambação no transporte escolar” foi um dos motivos listados pelo ex-prefeito e ex-deputado estadual Gilberto Mussi para o eleitor optar pela chapa Luiz Carlos e Erroldisnei.
“Estamos ouvindo tantas barbaridades”
Já a chapa Força Democrática Canguçuense se defende como pode, apresentando a sua versão sobre as acusações e aproveitando as brechas deixadas pelos demais postulantes para contra-atacar. No programa que foi ao ar na quarta-feira (24), Rogério Marten Machado, presidente municipal do PP, ignorou a investida da oposição. “Lamentamos, com tristeza, que alguns falantes tenham sido utilizados pelos nossos adversários para criticar e falar mal, ingressando naquela fase de desespero, em que nem mais apresentam propostas”. Para Nilson Nornberg, candidato a vice-prefeito pelo PMDB em 2004, alguns assuntos estão fugindo da verdade. “Estamos ouvindo tantas barbaridades. Para defender a candidatura deles, (os adversários) estão usando pessoas doentes e que têm problema”, desabafa.
E você, leitor, como avalia este “tiroteio verbal” entre os três postulantes a Prefeitura faltando oito dias para as Eleições?
*Só é permitida a reprodução desta matéria se citada a fonte Canguçu On Line